Cada congressista a crer que o que tinha a dizer era o mais importante, assim, ninguém prestou real atenção nos dizeres alheios, já que seus dizeres eram o ponto principal. Depois dessa impressão, caminhou pela cidade, tirou algumas fotos de uma igreja anglicana e entrou numa livraria. Os livros eram muito baratos, mas não comprou nenhum. Não queria carregar nada. Queria andar livre, já que o vento conduzia os dois graus de temperatura através dos seus poros e fazia-lhe recordar da sensação nostálgica que a falta de frio trazia no terrível inferno tropical de São Paulo. Que agradável primavera com sensação térmica de -1 grau! - Pensou. Na noite anterior à da sua apresentação foi ao bar tour promovido pelo albergue. Como os estadunidenses são imbecis! Um estadunidense idiota tentou puxar papo, com o agradável argumento de que o país dele é o melhor do mundo e que eles não tem porquê viajar para o exterior, já que tudo lá é o melhor do mundo. Com preguiça de argumentar, ela respondeu: Then, what the hell are you doing in Canada? Talvez ele pensasse que com esse papinho de superautoconfiaça fosse conseguir algo com uma brasileira, mas ele não sabia que o QI de grande parte dos brasileiros é superior ao dele. A menina da Suiça, por outro lado, era um primor de educação, conversou um pouco com ela e pegou um táxi de volta ao albergue. O taxista era marroquino e falava 6 línguas, entre elas turco e espanhol. Disse que gostava muito de Montréal. Mas é mesmo impossível não gostar. Praticou seu turco com o taxista e descobriu que perdera noventa por cento do vocabulário... Deve ter sido em algum tropeção por aí, depois do qual sua memória fora confiscada pelo tempo. Subiu outro dia no Mont Royal, sozinha. O parque é grande, bonito e invernal. Um esquilo posou para foto e em seguida um corvo. Negro e exuberante. Um gótico à moda antiga a cumprimentou com um movimento de cabeça. No topo do Mont Royal ventava ainda mais, quase não era possível andar contra o vento. Fotografou a cidade de cima. Meditou um pouco. Teve vontade de treinar os Katas de karate, como se vê nos filmes, no topo da montanha, num lugar frio e poético...
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Estou seguindo o relato, que começou com a verdadeira e não geral, mas comum constatação de que damos importância maior em falar do que em ouvir...
Montréal é mesmo fantática !
Curta muito Luana !!!
Gros bisous ,
Dani
Querida Luana, é triste constatar, mas é uma das aberrações humanas nossa incapacidade de ouvir, os humanos resistem às ideias de outrens, apenas buscam ouvir quando em situação de extremo perigo, auscultando as pisadas das onças nas folhas secas. Só a experiencia nos torna mais flexíveis para abrir os ouvidos e acolher mensagens novas e contestadoras.
Olhar as cidades de cima é sempre, sempre a melhor experiência. Ainda mais quando está frio.
(saudades... Preciso devolver teus livros!)
É minha amiga, tu perdeste o Turco e eu o Japonês...
Acho que o lance é ficar com línguas mais comuns, não que sejamos pessoas comuns, mas é mais fácil encontrar alguém para praticar.
Talvez comece a estudar Francês, tenho bons motivos para isso...
Beijos da sua comadre!!!
No aguardo pela parte 2 e por mais textos (por enquanto só li dos mais recentes até as postagens de Fevereiro de 2009). Excelente textos Srta. Inaudita! Grande beijo.
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